A convivencia familiar para o idoso

A convivencia familiar para o idoso - Viver Com Arte e Acessórios

A convivencia familiar para o idoso

O Brasil enfrenta transformações que estão ocorrendo em seu perfil etário: o número de pessoas idosas está crescendo rapidamente junto com o aumento da expectativa de vida (IBGE, 2010). Esta é uma realidade que pode ser percebida em diversos países do mundo, particularmente aqueles com Índice de Desenvolvimento Humano-IDH alto, como os que se localizam no hemisfério Norte: Noruega, Dinamarca, Filândia, Suécia, Suiça, Estados Unidos da América, Canadá, além de outros.

O objetivo da pesquisa é o de analisar como o acompanhamento familiar é importante para o bem-estar da pessoa idosa. O problema levantado por esta pesquisa refere-se ao seguinte: qual a importância do apoio familiar para a pessoa idosa? Como o apoio familiar pode contribuir para o bem-estar e a longevidade da pessoa idosa?

A importância da pesquisa justifica-se pelo fato de que existe hoje uma camada significativa da população que está envelhecendo. Neste sentido, torna-se necessário não só o apoio da família, mas também a constituição de pessoas técnicas – médicos, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais etc. – que possam dar suporte profissional a este tipo de clientela.

O envelhecimento com qualidade tem sido, pois, preocupação dos estudiosos da Gerontologia e outros. Existem, no entanto, duas formas de oferecer suporte social às pessoas idosas: as redes formais e as redes informais. A rede de apoio social formal consiste em hospitais, ambulatórios médicos entre outras áreas da saúde, além dos profissionais da área da saúde. As redes de apoio informal são representadas pelos familiares, amigos e vizinhos que oferecem apoio em diferentes âmbitos da vida da pessoa idosa.

De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (2008), a velhice é um processo pessoal, natural e inevitável para muitos seres humanos na evolução da vida. Esse processo está relacionado a diversos fatores da vida de uma pessoa. Envelhecer é somar todas as experiências da vida, é o resultado de todas as escolhas e decisões que foram feitas ao longo da mesma. Percebemos, então, que vivenciar o envelhecimento apresenta situações diferentes para cada ser humano, pois cada ser humano é único.

O envelhecimento populacional gerou diversos riscos que a sociedade não estava preparada para enfrentar, tais como incapacidades, isolamento, solidão e exclusão social das pessoas idosas (QUARESMA et al., 2004).

As pessoas idosas estão vivendo mais tempo e nesta etapa final da vida necessitam do apoio de seus familiares, assim como também do apoio da sociedade para garantir a qualidade de vida e o bem-estar na terceira idade. O processo de envelhecer é historicamente compreendido sob duas perspectivas distintas: uma que o compreende como sendo o estágio final da vida que direciona o indivíduo rumo à morte; outra, que o percebe como sendo um momento de sabedoria, de serenidade e maturidade (ARRUDA, 2007).

A finalidade da família é oferecer às pessoas proteção, afeto, intimidade e identidade social. A solidariedade intergeracional é uma das principais funções da família, porém nas últimas décadas os modelos de família sofreram mudanças em sua dinâmica e estrutura, que impedem, parcial ou totalmente, que os familiares possam exercer o papel de cuidador. Uma importante mudança neste contexto foi a inserção da mulher no mercado de trabalho, que veio a dificultar o desempenho da função que a família assumia de cuidadora da pessoa idosa. Surgiu então à necessidade de transferir ou partilhar esta responsabilidade, e o apoio à pessoa idosa passa a ser compartilhado com instituições públicas e privadas de solidariedade social (BARBOSA, 2008).

As redes de apoio social são também muito importantes e necessárias para a manutenção da saúde emocional ao longo de todo o ciclo de vida. Segundo Neri (2008), algumas das mais importantes funções dessas redes de apoio social para as pessoas da terceira idade são:

1) criar novos contatos sociais;

2) fornecer e receber apoio emocional;

3) obter garantia de que são respeitados e valorizados;

4) manter o sentimento de pertencimento a uma rede de relações comuns e fornecer suporte para aquelas pessoas idosas que sofreram perdas físicas e sociais.

As redes de apoio social formadas por familiares e amigos significativamente abalam os efeitos do estresse nos indivíduos mais velhos, elas oferecem suporte social na forma de amor, afeição, preocupação e assistência (COCKERHAM,1991). Os efeitos estruturais no bem-estar psicológico das pessoas estão implícitos na Teoria da Integração Social de Durkheim. Estritamente falando, a integração social, para o referido autor, promove um sentido de significado e propósito para a vida. Em geral, a perspectiva da integração social assume que a frequência dos contatos promove bem-estar (DURKHEIM, 1951).

A literatura sugere correlações entre contato social, apoio e longevidade na medida em que indivíduos que mantêm maior contato com familiares e amigos possivelmente vivam por mais tempo do que aqueles que se abstêm desses relacionamentos (AREOSA; BULLA, 2010). Evidentemente que tal aspecto depende muito da relação que a pessoa idosa tem com a família, pois caso seja conflituosa, a tendência é, possivelmente, de declínio da mesma.

Segundo Carneiro (2007), as relações pessoais levam o indivíduo a crer que pertence a uma rede social e que é amado, querido e estimado. Esta crença poderá demandar efeitos positivos sobre a sua saúde.

Conforme Mendes et al. (2005), a família exerce uma importância fundamental no fortalecimento das relações em todas as fases da vida, embora algumas vezes a família tenha dificuldades em entender e aceitar o envelhecimento de um membro da família, tornando o relacionamento familiar mais difícil.

Segundo Mendes et al. (2005), o ambiente familiar contribui para as características e o comportamento da pessoa idosa. Desta forma, na família suficientemente sadia, onde se mantém harmonia entre as pessoas, possibilita o crescimento de todos, incluindo a pessoa idosa, pois todos possuem funções, papéis, lugares e posições, e as diferenças de cada um devem ser respeitadas e levadas em consideração.

Mendes et al. (2005), afirmam ainda que em famílias onde há falta de respeito, desarmonia, e falta de limites, o relacionamento é marcado por frustrações, com indivíduos deprimidos e agressivos. Estes eventos promovem retrocesso na vida das pessoas. A pessoa idosa torna-se isolada socialmente e temerosa em cometer erros e ser punida. Esse tipo de relacionamento cerceia as ações das pessoas idosas, tornando-se algo traumático, que pode deixar sequelas irreparáveis. Tal condição pode acelerar os processos de intensificação de doenças e até da morte.

De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (2008), as necessidades afetivas das pessoas idosas não são diferentes das outras pessoas em outras fases da vida. Essas necessidades afetivas são: amor, alegria, realização. O prazer da alegria das relações com outras pessoas fortalece-os para o enfrentamento do estresse, da ansiedade, e dos desafios diários, permitindo-lhes uma qualidade de vida melhor e equilíbrio psicológico. O equilíbrio psicológico é de fundamental importância e pode ser um diferencial entre o bem-estar e a desestruturação da personalidade.

A família é a primeira rede de apoio para a pessoa idosa onde esta encontra a assistência necessária para suas dificuldades e necessidades (ASSIS; AMARAL, 2010). O contexto familiar representa um elemento essencial para o bem-estar das pessoas idosas. Essas encontram nesse ambiente apoio e intimidade para enfrentar as diferentes situações com que se deparam, cujas relações expressam e oferecem um lugar, um suporte que demonstra um grau de pertencimento com seus familiares. Isto garante-lhes certa segurança que talvez não teriam se estivessem em outro contexto. Esse panorama demonstra que a família, apesar das mudanças frente a diversas situações, continua sendo um local de extrema importância para nutrir afetos e proteção às pessoas idosas (ARAÚJO, 2010). A família representa, portanto, um sustentáculo de extrema importância para a pessoa idosa, pois é nela que, nas situações mais diversas, ela encontra o apoio necessário para a satisfação de suas necessidades, salvo algumas exceções. Entretanto, vale ressaltar que a família, possivelmente, tenha um papel muito mais positivo do que negativo, quando se trata da relação com as pessoas idosas.

Cobb (1976) pontua que o apoio social leva o indivíduo a acreditar que é querido, amado e estimado, e que faz parte de uma rede social com compromissos mútuos. A ausência de convívio social causa severos efeitos negativos na capacidade cognitiva geral (KATZ; RUBIN, 2000). A pobreza de relações sociais como um fator de risco à saúde tem sido considerada tão danosa quanto o fumo, a pressão arterial elevada, a obesidade e a ausência de atividade física (ANDRADE; VAITSMAN, 2002). As relações sociais negativas e conturbadas podem ter um efeito devastador tanto sobre a dimensão física quanto psicológica. Esse efeito devastador pode ser extremamente danoso para a pessoa idosa que, em algumas circunstâncias, já padece de tantos problemas advindos da idade.

Este conjunto de evidências sugere que a deterioração da saúde pode ser causada não somente por um desgaste natural do organismo, sedentarismo ou uso de tabaco, mas, também, pela redução da quantidade ou qualidade das relações sociais (RAMOS, 2002). De uma forma geral, pode-se argumentar que as pessoas que têm maior contato social vivem mais e com melhor saúde do que as pessoas com menor contato social (DRESSLER; BALIEIRO; SANTOS, 1997). Evidentemente que existem pessoas que preferem a clausura, e nem só por isso significa que não podem ter uma longa vida. Tal aspecto depende de muitos fatores, mas é claro que uma pessoa idosa com companhia, que se sente acolhida, tem possibilidade, como demonstra a literatura, de viver muito mais.

Desta forma, os vínculos constituídos pelas pessoas idosas ao longo da vida são formados pelo grupo familiar e pelas amizades. Estas relações proporcionam uma sensação de pertencimento, que tem sido fator fundamental para o envelhecimento com qualidade de vida e bem-estar. Essas redes de apoio ajudam as pessoas idosas durante seu processo de envelhecimento, assegurando maior autonomia, independência, saúde e bem-estar (TRIADÓ; VILLAR, 2007).

As pessoas idosas que mantêm contato com suas redes de apoio social informal, como os vizinhos e amigos, terão dessas pessoas, salvo exceções, considerável apoio e cuidado no caso de ausência da família (HERNANDIS, 2005) [grifo nosso]. Formar relações de amizade na velhice é uma tarefa delicada, devido à redução ao convívio familiar e às perdas dos iguais, pelas quais sofre a pessoa idosa. O apoio disponibilizado pela família à pessoa idosa tem o papel de proporcionar um bem-estar significativo (HERNANDIS, 2005).


Fontes:
https://psicologado.com.br/psicologia-geral/desenvolvimento-humano/envelhecimento-e-apoio-familiar-importancia-no-bem-estar-da-pessoa-idosa
https://cress-mg.org.br/hotsites/Upload/Pics/1d/1d829859-460f-44ee-b558-78a9892c874d.pdf